Cientistas recebem o 3º Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher

Em cerimônia virtual realizada no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a SBPC entregou troféu e um prêmio em dinheiro para a astrônoma Beatriz Leonor Silveira Barbuy, a sanitarista Gulnar Azevedo e Silva, e a educadora Nilma Lino Gomes

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entregou sexta-feira (11/2) o 3º Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” às cientistas Beatriz Leonor Silveira Barbuy, Gulnar Azevedo e Silva e Nilma Lino Gomes. Cada vencedora recebeu um troféu e um prêmio de R$ 10 mil, além de passagem aérea e hospedagem para que elas participem de um painel durante a 74ª Reunião Anual da SBPC, que este ano será realizada na Universidade de Brasília (UnB).

O 3º Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” recebeu apoio da farmacêutica Allergan Aesthetics, uma empresa AbbVie, e da Oxiteno, que patrocinaram o evento e permitiram a premiação em dinheiro. Ao abrir a cerimônia, o presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, afirmou: “É um dia importante para nós, porque queremos cada vez mais mulheres na ciência assim como já temos na nossa diretoria que se compõe atualmente de sete mulheres e dois homens”.

Fernanda Sobral, vice-presidente da entidade, contou a histócerimonia-fot0ria do prêmio criado em 2019 pela então vice-presidente, a bioquímica Vanderlan Bolzani, como homenagem da SBPC às cientistas, que leva o nome de sua primeira presidente mulher, Carolina Bori. Sobral destacou que o prêmio visa, sobretudo, dar visibilidade às mulheres cientistas, para que elas se tornem exemplos a serem seguidos, como também estimular as meninas para seguir a carreira científica.

“A SBPC, que já teve três mulheres presidentes e hoje tem a maioria da diretoria feminina, criou essa premiação por acreditar que homenagear as cientistas brasileiras e incentivar as meninas a se interessarem por este universo é uma ação marcante de sua trajetória na qual tantas mulheres foram protagonistas”, declarou a atual vice-presidente.

Trajetórias

Vencedora do prêmio na área de Engenharias, Exatas e Ciências da Terra, a astrônoma Beatriz Leonor Silveira Barbuy ressaltou a importância das universidades públicas, do financiamento de bolsas por agências oficiais e contou como vem buscando aproximar cientistas brasileiros de alguns dos telescópios mais importantes do mundo.

“Os meus esforços principais na direção da participação do Brasil no Observatório Europeu Austral (ESO), o mais abrangente do planeta, embora não tenha sido consolidado, o trabalho de anos junto ao Congresso Nacional e à organização ESO foi muito intenso e pode levar em algum momento à sua realização”, afirmou Barbuy, que é professora titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).

Vencedora do prêmio na área de Biológicas e Saúde, a epidemiologista Gulnar Azevedo e Silva disse que ter o trabalho reconhecido em uma premiação com nome de Carolina Bori tem um significado especial. “Acredito que essa premiação tem um valor inestimável em escolher, entre as áreas biológicas e da saúde, uma representante da saúde coletiva, opção profissional que fiz ainda quando estudante de medicina e que a cada dia tenho certeza que foi a mais certa”, declarou Azevedo e Silva que é professora titular do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Ao agradecer o prêmio, Nilma Lino Gomes, vencedora na área de Humanidades, disse que era uma honra ser educadora, pedagoga e mulher negra e que o prêmio revela não só a trajetória dela, mas também a área da educação no campo das ciências de forma mais ampla. “É também um reconhecimento da importância da luta antirracista, das ações afirmativas como política de correção de desigualdades raciais”, completou Gomes que é professora titular e emérita da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Comissão julgadora

A antropóloga Miriam Pillar Grossi, membro da diretoria da SBPC, que também participou da comissão julgadora, disse que foi difícil escolher apenas três cientistas entre as dezenas de indicações. “Os dossiês (de indicações das sociedades científicas) mostraram que mulheres cientistas brasileiras tem carreiras incríveis, com uma produção impressionante”, afirmou. E completou: “Todavia é surpreendente a pouca visibilidade que as mulheres cientistas têm no Brasil”.

Lucile Maria Floeter-Winter, presidente da Sociedade Brasileira de Protozoologia (SBPz), parabenizou as indicadas e as ganhadoras. “Como cientista me sinto completamente representadas por vocês”, declarou. A professora de bioquímica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Debora Foguel, reiterou que, apesar das cientistas brasileiras apresentarem um trabalho reconhecido dentro e fora do país ainda são subrepresentadas em instâncias de poder.

“Inclusive à medida que a carreira vai se afunilando, chegando em determinados estágios do topo – por exemplo, em bolsas de produtividade -, são vários estudos que mostram que não ocupamos ainda, proporcionalmente, posições que nos seriam de direito”, afirmou Foguel.

Para a cientista Vanderlan Bolzani, presidente da Academia de Ciências do Estado de S. Paulo (Aciesp) e membro do Conselho da SBPC, o prêmio Carolina Bori é importante, não apenas como reconhecimento ao trabalho das cientistas, mas também para incentivar outras mulheres.

“A premiação para as mulheres é extremamente relevante, para que possamos mostrar ao mundo que a sustentabilidade do planeta depende de homens e mulheres unidos com o mesmo objetivo: construir um mundo mais humano, mais justo, socialmente favorável para, principalmente nos países em desenvolvimento e os em subdesenvolvimento, onde são as mulheres que mais sofrem e tem problemas”, declarou.

“Desejo que esse prêmio represente não apenas um reconhecimento, mas um incentivo para vocês continuarem a vencer os desafios que ainda terão que enfrentar em fazer ciência”, comentou Valderez Pinto Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Geoquímica (SBGq).

Empresas apoiadoras

Fabiana Marra, gerente de Marketing da Oxiteno, explicou que o apoio ao prêmio Carolina Bori está alinhado com o incentivo da empresa à participação de mulheres em seu centro de pesquisas. “Eu como mulher já fui pesquisadora, sei o quanto é difícil essa jornada, mas fico mais feliz em saber que a gente está vencendo, está conquistando o nosso lugar ao sol e mostrando que mulher, sim, pode fazer a diferença no mundo e na sociedade como um todo e a gente pode construir ponte, pode construir obra de metrô, que tudo fica muito bom e muito bem feito”, afirmou.

Cecília Gurgel, da Allergan Aesthetics, uma empresa AbbVie, disse que a conexão da companhia com o prêmio também está muito relacionada com a agenda prioritária de equidade, igualdade e diversidade. Segundo ela, as mulheres têm avançado muito em posições de liderança dentro da organização. “Consideramos o evento de hoje muito importante, não só para o avanço da ciência, mas para inspirar tantas mulheres a entrarem nessa jornada também”, declarou.

Trabalhos apresentados

Nesta edição, a SBPC recebeu indicações de 35 Sociedades Afiliadas à SBPC. Do total de indicadas, 11 foram na área de Humanidades, 11 na área de Biológicas e Saúde e 13 de Engenharias, Exatas e Ciência da Terra. Das 35 Sociedades Afiliadas que indicaram, 16 contam com presidentes mulheres.

A cerimônia de premiação ocorre anualmente, alternando duas categorias – “Mulheres Cientistas” e “Meninas na Ciência”. Esta terceira edição premia “Mulheres cientistas”, categoria dedicada às pesquisadoras de instituições nacionais que tenham prestado relevantes contribuições à ciência e à gestão científica, além de terem realizado ações em prol da ciência e da tecnologia nacional.

Criado em 2019, o Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” é uma homenagem da SBPC às cientistas brasileiras destacadas e às futuras cientistas brasileiras de notório talento, que leva o nome de sua primeira presidente mulher, Carolina Martuscelli Bori.

A cerimônia virtual de entrega do 3º Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” está disponível na íntegra, no canal da SBPC no Youtube.

 

Jornal da Ciência